sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ministra Iriny Lopes pede mais rigor com Lei Maria da Penha

Ministra da Secretaria para Mulheres falou no 'Bom Dia Ministro'. Lei 'está próxima da perfeição', mas efetividade 'é baixa', disse ministra.

Ministra Iriny Lopes pede mais rigor com Lei Maria da Penha
A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, pediu nesta quinta-feira (8), no programa ‘Bom Dia Ministro’, que a Lei Maria da Penha, que visa proteger mulheres em situação de violência, seja cumprida de maneira mais efetiva.

Iriny citou ainda a assinatura, na semana passada, de acordo com o Ministério da Justiça e instituições do judiciário na semana passada para possibilitar maior rigor com a lei.

Segundo a ministra, a legislação “está próxima da perfeição". "A ONU considera a lei uma das três melhores legislações do mundo. (...) O problema da lei é a efetivação da lei no Brasil, que ainda é muito baixa”.

Apesar dos avanços da lei – que já alcançou 300 mil processos e 10 mil prisões em flagrante -, Iriny Lopes afirmou que a intenção é fazer com que haja reduções nos índices “consideráveis” de homicídios e violência no Brasil. “A cada 4 minutos, temos uma vítima de agressão”, informou a ministra.

De acordo com Iriny Lopes, o Judiciário não era bem informado da situação de violência das mulheres brasileiras e, a partir dos protocolos firmados e das reuniões entre a secretaria e juízes, a Justiça passou a “ter pressa” no combate a esses tipos de violência.

Disque 180

A ministra lembrou ainda a criação do Disque 180 Internacional em Portugal, Espanha e Itália, em novembro. O Disque 180 internacional será útil para atender mulheres brasileiras que vivem no exterior e buscam informações sobre direitos e tentam fazer denúncias.

Segundo Iriny Lopes, o serviço vai funcionar da seguinte maneira: as mulheres no exterior ligam para o 180, as atendentes no Brasil irão separar cada caso e, em seguida, dependendo da situação, encaminharão aos órgãos competentes, como embaixadas.

Fonte: G1

Fatos em foco

A Controladoria Geral da União apurou e concluiu que os desvios de recursos públicos no Ministério da Agricultura, na gestão de Wagner Rossi (PMDBSP), chegaram a R$ 228 milhões
 
Hamilton Octavio de Souza - Brasil de Fato

Oportunidades
A verdade precisa ser dita: a presidenta Dilma Rousseff tem muito a agradecer a grande imprensa empresarial de direita, que denunciou irregularidades e pediu a cabeça de vários integrantes do governo. Graças a isso, ela teve a chance de trocar sete ministros em um ano e de melhorar a composição do ministério. Se fosse contar com a fiscalização da mídia chapa-branca, não teria mudado nada. A conivência é fatal!    

Privatização
Estudo do Conselho Federal de Medicina escancara a escandalosa distribuição dos médicos pelo Brasil e especialmente entre os que prestam serviço no setor público e no setor privado. Na média nacional existem dois médicos para cada mil usuários do setor público, contra oito médicos para cada mil usuários do setor privado. Em alguns estados existem 12 vezes mais médicos no setor privado do que no setor público – que é utilizado por 90% da população.    

Precariedade
O município de São Paulo, considerado o mais rico e poderoso do Brasil, necessita hoje de 180 mil vagas em creches públicas para famílias de baixa renda. Esse número vem crescendo ano a ano, nas várias gestões do PSDB, DEM e PSD. A fila por vaga pode demorar até dois anos – e muitas mães, que precisam trabalhar, acabam deixando seus filhos pequenos trancados em casa, com vizinhos ou em creches improvisadas. Uma calamidade social.    

Crime federal
Não é brincadeira não. A Controladoria Geral da União apurou e concluiu que os desvios de recursos públicos no Ministério da Agricultura, na gestão de Wagner Rossi (PMDBSP), chegaram a R$ 228 milhões, a maior parte com pagamentos sem contrapartida ou superfaturamento para empresas de fachada ligadas ao ministro e seus assessores. Perguntas básicas: O dinheiro será devolvido? O que vai acontecer com o ladrão?    

Farra mundial
Todo mundo sabe que a Copa de 2014 – além das obras do PAC e outras negociatas em andamento – é um celeiro de transferência de recursos públicos para grupos privados. Em Cuiabá (MT), autoridades estaduais e empresários espertos inventaram a construção de mais uma obra para o Mundial de Futebol: é uma linha de veículo leve sobre trilhos, que vai custar mais R$ 700 milhões aos bolsos do povo. Fácil, né?    

Luta heróica
No dia 5 de dezembro comemora-se o centenário de nascimento do político baiano Carlos Marighella, que foi deputado pelo Partido Comunista Brasileiro, fundador da Ação Libertadora Nacional e assassinado pela Ditadura Militar, em 1969, numa emboscada preparada por agentes do DOPS na Alameda Casa Branca, em São Paulo. Dedicou a vida à defesa da liberdade e de melhores condições de vida para o povo brasileiro.   

Retrocesso
Garoto de ouro do petismo, indicado pelo ex-presidente Lula para o Supremo Tribunal Federal, o advogado Dias Toffoli mantém – desde que assumiu – uma sequência de votos típicos do mais puro conservadorismo. Agora votou contra o artigo 254 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que permite ao Estado fiscalizar a programação imprópria para crianças nas emissoras de TV. A grande mídia burguesa comemorou o voto do ministro.   

Responsabilidade
O ataque contínuo dos grileiros, latifundiários e dos ruralistas do agronegócio contra os índios é obra direta do governo federal – a quem compete fazer a demarcação das reservas e dar proteção aos povos indígenas – e do Poder Judiciário, que tem deliberadamente protelado, em várias instâncias, os processos de demarcação. Os responsáveis pelo genocídio têm nome e endereço. Não estão nem aí com o faroeste porque as mortes são do outro lado.   

Esquerda avança
Depois de mais de dez anos de domínio da direita, o Sindicato dos Economistas de Minas Gerais será dirigido agora por uma chapa de coalizão da esquerda e centro esquerda, encabeçada pelo economista João Baptista Santiago Neto. A vitória histórica aconteceu nas eleições do dia 30 de novembro e animou as forças de esquerda a acirrar a luta contra a direita encastelada em outras entidades da categoria. Avante!  

A cúpula da (des)ordem capitalista

Editorial de Carta Maior

A cúpula do euro que acontece nesta sexta-feira, em Genebra, tem sido apresentada pela mídia como a derradeira chance de salvar a moeda única que articula a economia de 17 países, muitos deles vivendo um estágio de decomposição fiscal.

Na realidade, o que está em jogo é uma resposta mais geral à crise das finanças desreguladas que teve a sua espoleta nos EUA, na bolha imobiliária de 2008, mas vive seu epicentro na virulenta desordem financeira instalada no coração do capitalismo europeu.

Referendar aparências para ocultar a essência tem sido um recurso do poder em todos os tempos. A agenda de Genebra não se resume a um confronto entre a austeridade bovina de Ângela Merkel e governantes perdulários, às vezes cafajestes, como se tenta vender em manchetes e perorações mercadistas; tampouco se restringe a um ritual de consagração da direita medíocre, personificada pelo novo premiê espanhol, Mariano Rajoy, que ascende no vácuo da rendição socialista para enterrar os ossos do Estado do Bem-Estar Social. Não é só uma crise fiscal que sacode o assoalho e faz ranger os ferrolhos da velha nau européia.

O que está em jogo é o esgotamento de uma ordem social. Tornou-se virtualmente incompatível a convivência entre a reprodução do capital a juros que caracteriza a hegemonia das finanças desreguladas no neoliberalismo e o legado histórico de lutas e conquistas operárias e humanistas que dão sentido ao termo 'social-democracia'. Entre outras razões, é por isso que a Europa se transformou no epicentro da crise do capitalismo nesse momento.

O que se decide até 6ª feira é o quanto será preciso amputar da democracia, dos direitos e da soberania das nações para salvar os interesses rentistas abrigados na hegemonia do capital a juros, que modelou o sistema econômico mundial com maior intensidade nas últimas décadas.

Em troca da ‘ajuda' a Estados e instituições em rota falimentar, pretende-se que Genebra entoe o réquiem da velha Europa, substituindo-a por um protetorado teleguiado por diretórios com poder consentido para indeferir e modificar orçamentos, leis e políticas votados em parlamentos ornamentais.

Versalhes fez isso no passado contra a Alemanha, impondo-lhe reparações de guerra que levaram ao segundo conflito mundial. Uma Europa sob estado de exceção permanente está em teste nos pilotos grego e italiano, manejados por tecnocratas de confiança do dinheiro. Quem dirá se os protótipos tem fôlego para refundar a (des) ordem capitalista em bases ainda mais regressivas não serão os protagonistas passivos de Genebra.

Mais que nunca a partir desta sexta-feira esse apanágio caberá às ruas.